segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Opinião & Reflexão

NADA DE NOVO NO FRONT

A obra do escritor alemão Erich Maria Remarque, que dá título a esse texto, apontou em grande medida os acontecimentos mediáticos-documentais das últimas semanas. E, em um diapasão semelhante àquele que o protagonista, Paul Baümer, tornou-se notório, ou seja, o sofrimento e o vazio que sentia ao retornar após o duro front alemão no decorrer da Grande Guerra, atualmente, constrói-se ou menos tentam impor como tal, a dificuldade e a incompreensão perante uma nova condição na utilização de mídias.
A partir de 28 de novembro passado, veio à tona uma série de documentos diplomáticos publicados pelo australiano Julian Assange em seu portal Wikileaks (www.wikileaks.org). Inicialmente os cables, relatos feitos por diplomatas desde os locais em que estão em missão, contém, em sua maioria, opiniões de diplomatas a respeito de condições políticas dos locais em que estão em missão. E, são em sua maioria, subjetividades sobre o caráter de líderes e situações do que propriamente informações objetivas e documentadas. Para completar, na última semana, foram publicados papéis que abordam questões estratégicas, principalmente as relativas aos Estados Unidos.
Muitos desses documentos foram classificados pela imprensa mundial e pelos próprios governos como algo que poderia afetar a segurança individual ou coletiva de cada um dos países. E, que também, poderia provocar reações de amplitudes inimagináveis.
No entanto, existem elementos muito mais importantes para reflexão do que pensar sobre os “segredos” desses documentos.
Por um lado, até o momento, nenhum dos documentos apresenta realmente uma novidade em termos de política ou estratégia militar. Grande parte dos documentos apresenta temas que já foram amplamente cobertos pela mídia e até confirmados pelos respectivos países. Como as práticas de tortura feitas pelos Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão, amostras do conservadorismo do Vaticano e a problemática no Oriente Médio. E, convenhamos, a divulgação dos pontos considerados estratégicos para os Estados Unidos ao redor do mundo não é novidade para ninguém. Afinal, qualquer manual de guerra, por mais mixuruca que seja, indica que os primeiros locais a ser atacados devem ser aqueles relacionados à infra-estrutura, fontes de energia e áreas que envolvem o deslocamento de grandes contingentes de tropas, ou seja, portos e aeródromos. Ou seja, não trazem subsídios documentais que ameaçam a soberania de qualquer Estado.
Por outro, aponta-se o controle a que a Internet é constantemente submetida. Ou seja, o chamado “território livre” da comunicação não existe, é apenas mais uma abstração. Logo após as suas primeiras publicações, as grandes corporações presentes na rede expuseram o quão rápido é possível impetrar ações de cerceamento de escrita. Em uma ação coordenada entre governos e empresas, tentaram cortar os fundos de arrecadação do Wikileaks, por meio do encerramento da sua conta do PayPal, serviço hegemônico de pagamento eletrônico; e, a proibição da utilização dos servidores da Amazon.com, para sediar o sua base dados. E nos últimos dias, houve até mesmo o fechamento da conta-corrente de Assange na Mastercard.
E, na maioria dos periódicos e portais, as formas de controle que sugiram com o episódio do Wikileaks foi sumariamente negligenciado e muitas vezes com a concentração de análises na ousadia de se abrir a “Caixa de Pandora” da diplomacia.
Sinceramente, até o momento não vi nenhuma informação relevante nas publicações. As grandes teorias conspiratórias ainda resistem ao Wikileaks. Afinal, quem matou JFK? Existem ET’s na Área51? Elvis Presley não morreu?
Enquanto não for publicado ao menos uma resposta, das perguntas do parágrafo anterior (principalmente sobre o Elvis), o Wikileaks não traz nada de novo ao front.

Fernando F. Camargo é professor de História Contemporânea da Unicastelo.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Historiografia & Fonte

A seção "Fonte & Historiografia" tem como objetivo apresentar fundos documentais e publicações online. Em sua estréia, indicamos a página do CPDOC/FGV. O afamado centro de pesquisa fluminense publicou um dossiê a respeito da Revolução de 30 com  disponibilização de subsídios documentais,  produção acadêmica da instituição sobre o tema e uma entrevista com o Boris Fausto.

Desfrutem!

http://cpdoc.fgv.br/revolucao1930